Uma necrópole real mais tranquila na margem oeste de Luxor, com tumbas finamente pintadas. Veja pelo que ela é conhecida, a questão de Nefertari e como encaixá-la no roteiro.
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Sim, o Vale das Rainhas vale a visita se você gosta da decoração de tumbas e quer uma segunda necrópole real, mais tranquila, na margem oeste de Luxor. Trate-o como um complemento ao Vale dos Reis, e não como um substituto na primeira visita, e confira quais tumbas estão abertas e quais exigem um ingresso extra quando for.
O Vale das Rainhas fica na extremidade sul da necrópole de Tebas, a uma curta distância de carro do Vale dos Reis, perto da aldeia dos operários de Deir el-Medina e do templo de Medinet Habu. Costuma-se dizer que os antigos egípcios o chamavam de Ta-Set-Neferu, geralmente traduzido como o local da beleza ou o local dos filhos reais, e esse segundo sentido importa: o vale não era só para rainhas. Durante o Novo Império, tornou-se o local de sepultamento de esposas reais, príncipes, princesas e outros membros da casa real.
Dezenas de tumbas foram registradas aqui, mas apenas um pequeno número está aberto aos visitantes de cada vez, e a seleção muda por motivos de conservação. O que você verá é um local compacto, com um circuito curto a pé, menos gente do que no Vale dos Reis e pinturas murais que costumam ter escala mais íntima e cores mais vivas. O restante deste guia explica pelo que o vale é conhecido, como encaixá-lo em um dia na margem oeste e quando faz sentido deixá-lo de fora.
O que torna o Vale das Rainhas diferente
O Vale dos Reis conta a história de faraós viajando pelo mundo dos mortos, por isso suas tumbas são longos corredores cobertos de textos funerários, como o Amduat e o Livro dos Portais. Muitas das tumbas do Vale das Rainhas são mais curtas e de planta mais simples, e sua decoração se concentra no dono da tumba sendo apresentado aos deuses. É comum ver uma rainha ou um príncipe diante de Osíris, Ísis, Anúbis, Thot ou Hathor, com belos detalhes de roupas, joias e oferendas.
Como as tumbas são menores, você consegue estudar uma cena inteira sem caminhar 100 metros até a câmara funerária. Para muitos visitantes, isso torna as pinturas mais fáceis de apreciar. O cenário também é diferente: um vale lateral seco, com menos ônibus de turismo, o que dá à visita um ritmo mais calmo do que o do principal vale real, sobretudo no fim da manhã, quando o Vale dos Reis está mais cheio.
As tumbas pelas quais o vale é conhecido
As tumbas abertas se alternam, então trate a lista abaixo como um guia do que cada tumba tem de famoso, e não como promessa do que estará aberto no seu dia.
Tumba de Nefertari (QV66)
Nefertari foi a esposa principal de Ramsés II, e sua tumba é muito admirada pela decoração pintada. As cores estão incomumente bem conservadas após um grande projeto de conservação no fim do século XX, e as cenas mostram a rainha jogando senet, fazendo oferendas e sendo conduzida por divindades. O acesso historicamente exigiu um ingresso separado, de preço mais alto, o número de visitantes pode ser limitado e o tempo lá dentro costuma ser curto para proteger as pinturas. As regras e a disponibilidade mudam, então confirme as condições atuais antes de viajar, em vez de presumir que estará aberta.
Tumba de Amenherkhepeshef (QV55)
Esta tumba pertence a um filho de Ramsés III. Suas cenas mostram o jovem príncipe sendo apresentado aos deuses pelo pai, com azuis, amarelos e vermelhos vivos sobre fundo branco. É uma das tumbas mais frequentemente abertas aos visitantes e um bom exemplo de como o vale servia aos filhos reais, e não apenas às rainhas.
Tumba de Khaemwaset (QV44)
Outro filho de Ramsés III, Khaemwaset foi sepultado em uma tumba com relevos pintados bem conservados que mostram, mais uma vez, o rei apresentando o filho aos deuses. Os visitantes costumam compará-la com a tumba de Amenherkhepeshef, porque as duas compartilham estilo e contexto familiar.
Tumba da rainha Titi (QV52)
Titi foi uma esposa real da 20ª Dinastia. Sua tumba é mais modesta e a decoração é menos completa do que a de Nefertari, mas mostra como a tumba de uma rainha era organizada e decorada, incluindo cenas com Hathor e outras deusas protetoras.
Você precisa do ingresso de Nefertari?
Para muitos viajantes, a verdadeira pergunta é se a tumba de Nefertari justifica seu ingresso separado. É o motivo pelo qual algumas pessoas visitam o vale, e, se você tem forte interesse pela pintura egípcia, costuma ser um interior de tumba inesquecível em uma viagem a Luxor. As cores, a qualidade das figuras e a completude do programa decorativo são excepcionais.
Pode valer menos a pena se você tem apenas um dia na margem oeste e já pretende comprar ingressos extras no Vale dos Reis, se espaços fechados o incomodam ou se o seu principal interesse é arquitetura e templos, e não arte de tumbas. O tempo lá dentro é curto, então o valor depende de quanto você aproveitará de poucos minutos concentrados. Se estiver em dúvida, pergunte-nos ao planejar a viagem e verificaremos se a tumba está aberta e como o acesso funciona atualmente nas suas datas.
Como funciona a visita
Uma visita típica começa na entrada e segue um caminho curto, pavimentado e de cascalho, pelas tumbas abertas. A maioria dos visitantes passa de uma a duas horas, dependendo de quantas tumbas estão abertas e de a tumba de Nefertari estar incluída. Os guias costumam explicar cada tumba do lado de fora antes de você entrar, porque conversar lá dentro costuma ser desencorajado ou restrito.
Como chegar
O vale fica na margem oeste, então você chega de carro a partir do hotel ou do navio de cruzeiro, normalmente com motorista e guia. Fica perto de Deir el-Medina e de Medinet Habu, o que facilita combiná-lo com qualquer um dos dois. A maioria dos roteiros de cruzeiro e de passeios inclui apenas o Vale dos Reis e um templo da margem oeste, então o Vale das Rainhas costuma ser algo que você acrescenta como opcional ou em um dia privativo.
Pontos práticos
Leve chapéu, óculos de sol e água; há pouca sombra entre as tumbas.
Use calçados fechados e confortáveis. As entradas das tumbas podem ter rampas ou escadas, e os pisos podem ser irregulares.
As regras de fotografia dentro das tumbas variam e podem mudar, inclusive quanto à necessidade de um ingresso para fotos. Pergunte na entrada ou consulte o seu guia.
Preços de ingressos, horários de funcionamento e quais tumbas estão abertas mudam; confira os detalhes atuais antes de ir.
Como encaixá-lo em um dia na margem oeste
A margem oeste tem mais locais do que cabem em um dia, então o Vale das Rainhas funciona melhor como parte de um roteiro deliberado, e não como algo de última hora. Aqui estão três combinações sensatas.
Plano
Locais
Para quem serve
Clássico mais
Vale dos Reis, templo de Hatshepsut, Vale das Rainhas
Visitantes de primeira viagem com bom fôlego
Sul da margem oeste
Vale das Rainhas, Deir el-Medina, Medinet Habu
Quem já visitou antes ou tem um segundo dia na margem oeste
Foco em arte de tumbas
Vale dos Reis, Vale das Rainhas com Nefertari
Viajantes que mais se importam com interiores pintados
A combinação do sul é especialmente gratificante. Deir el-Medina foi o lar dos artesãos que esculpiram e pintaram as tumbas reais, e suas próprias tumbas pequenas são ricamente decoradas. Medinet Habu, o templo funerário de Ramsés III, tem relevos de templo bem conservados na margem oeste. Como o pai de Amenherkhepeshef e de Khaemwaset construiu Medinet Habu, os dois locais se conectam bem na história que o seu guia pode contar.
Comece cedo. A margem oeste é quente durante boa parte do ano, e quanto mais cedo você começar, mais confortáveis serão as visitas às tumbas. Muitos viajantes visitam primeiro o Vale dos Reis e depois seguem para o Vale das Rainhas, à medida que o vale principal vai enchendo.
Quando deixá-lo de fora
A fadiga de tumbas é real. Depois de quatro ou cinco interiores de tumbas, muitos visitantes sentem que os detalhes começam a se misturar. Se você já viu várias tumbas no Vale dos Reis naquela manhã e está cansado ou com calor, mais interiores podem não parecer significativos. Nesse caso, um templo ao ar livre, como Medinet Habu ou o Ramesseum, pode ser um melhor uso da tarde.
Você também pode deixá-lo de fora se tem mobilidade reduzida e as tumbas abertas no seu dia envolvem degraus ou rampas íngremes, se viaja com crianças pequenas que já chegaram ao limite ou se o seu tempo em Luxor é muito curto e você ainda não viu Karnak nem o Templo de Luxor. Em uma estadia de duas noites em Luxor, o Vale dos Reis, o templo de Hatshepsut e Karnak costumam ter prioridade. Com um terceiro dia, o Vale das Rainhas se torna um acréscimo muito mais fácil.
Perguntas frequentes
A tumba de Nefertari está sempre aberta?
Não, o acesso à tumba de Nefertari não é garantido. Costuma exigir um ingresso separado, o número de pessoas pode ser limitado, o tempo lá dentro é curto e as condições podem mudar por motivos de conservação. Confira a situação atual antes de viajar ou peça que a confirmemos para as suas datas.
De quanto tempo preciso no Vale das Rainhas?
A maioria dos visitantes passa de uma a duas horas. Visitar só as tumbas padrão fica no limite mais curto, enquanto acrescentar a tumba de Nefertari e esperar o horário de entrada pode levar a visita para perto de duas horas.
O Vale das Rainhas é adequado para quem tem mobilidade reduzida?
Depende de quais tumbas estão abertas. O local em si é compacto e as distâncias a pé são curtas, mas as entradas das tumbas podem envolver escadas, rampas e pisos irregulares. Avise o seu guia com antecedência para que ele escolha as tumbas mais acessíveis disponíveis.
Posso visitar o Vale das Rainhas e o Vale dos Reis no mesmo dia?
Sim, muitos viajantes fazem isso. Os dois vales ficam a uma curta distância de carro, e combiná-los com um templo resulta em um dia cheio, mas viável, na margem oeste, se você começar cedo.
As rainhas sepultadas aqui são as mesmas das múmias reais do Cairo?
Várias múmias reais estão hoje expostas no Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo, mas o Vale das Rainhas é visitado por suas tumbas e pinturas murais, e não por múmias. O que você vem ver aqui é a decoração.
Se quiser ajuda para decidir se o Vale das Rainhas cabe nos seus dias em Luxor, nossa equipe pode sugerir um roteiro na margem oeste que combine com seus interesses e seu ritmo. Você pode começar pelo nosso guia de Luxor ou planejar sua viagem conosco.